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8 de janeiro de 2021

DISTRIBUIÇÃO DE VACINAS PODE SER UM DIA APÓS DESEMBARQUE, DIZ FIOCRUZ


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prevê que as vacinas AstraZeneca/Oxford importadas da Índia poderão ser distribuídas no dia seguinte de seu desembarque no Brasil. Em nota divulgada sexta-feira (8/01), a fundação informou que a chegada das doses será no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (RIOGaleão), em data que será confirmada em breve.

 

"As vacinas prontas chegarão pelo aeroporto RIOGaleão, no Rio de Janeiro, e seguirão, no mesmo dia, para a Fiocruz para rotulagem. No dia seguinte, a partir de Bio-Manguinhos, na Fiocruz, as vacinas poderão seguir diretamente para a distribuição, que está sob responsabilidade do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. A data certa para a chegada dessas vacinas será confirmada em breve", informou a Fiocruz em nota.

 

A importação das doses produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia, é uma estratégia adicional da Fiocruz para antecipar o início da vacinação.

 

Para que as vacinas importadas da Índia possam ser aplicadas antes do registro definitivo do imunizante no país, a Fiocruz pediu nesta sexta-feira (8) a autorização de uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A fundação continua a trabalhar para o registro definitivo, cujo pedido deve ser concluído em 15 de janeiro.

 

Na nota divulgada hoje pela Fiocruz, a presidente da fundação, Nísia Trindade, comemora o pedido de uso emergencial como um passo importante no enfrentamento da pandemia.

 

“Este é um momento histórico para a Fiocruz. A submissão desse pedido de autorização para uso emergencial da nossa vacina covid-19, desenvolvida em parceria com a unidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, é um passo importante para que possamos ter acessível, no Programa Nacional de Imunizações (PNI), uma vacina eficaz e segura para o Sistema Único de Saúde. Num momento de tantas dificuldades, em que lamentamos a perda de tantas vidas no Brasil e no mundo, 2021 se inicia com a esperança de termos um caminho, ainda a ser trilhado, de superação dessa crise"

 

A meta da Anvisa é concluir a análise do pedido de uso emergencial em 10 dias. Caso a agência solicite informações adicionais aos desenvolvedores da vacina, o prazo para de ser contado até que os dados sejam informados.

 

Em entrevista coletiva concedida quinta-feira (7/01), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, estimou que, caso a autorização seja concedida a tempo, a vacinação contra covid-19 pode começar em 20 de janeiro, com as vacinas AstraZeneca/Oxford e Coronavac.

 

Segundo a Fiocruz, a vacina desenvolvida em parceria com os britânicos tem 73% de eficácia com apenas uma dose, e evita hospitalizações em 100% dos casos, protegendo a pessoa vacinada dos sintomas graves da doença. Além disso, a vacina é capaz de induzir a produção de anticorpos em 98% das pessoas após a primeira dose e, em 99% delas, após a segunda dose.

Milhões de doses

 

O acordo de transferência de tecnologia que permite a produção da vacina AstraZeneca/Oxford na Fiocruz prevê que a fundação receberá em meados deste mês o ingrediente farmacêutico ativo importado para produzir as primeiras doses.

 

O primeiro lote de um milhão de doses deve ser entregue ao Ministério da Saúde até 12 de fevereiro, mês em que a produção deve ganhar escala, e a entrega deve chegar a 700 mil doses por dia por volta do dia 22. Com o incremento da produção, a Fiocruz prevê produzir 50 milhões de doses da vacina até abril e 100,4 milhões até julho.

 

A partir do segundo semestre, a produção se tornará totalmente nacional, com a incorporação da tecnologia para produzir o IFA no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). Com isso, a previsão é que, até o final do ano, mais 110 milhões de doses sejam entregues ao Programa Nacional de Imunizações. (ABr)

Sexta-feira, 08 de janeiro, 2021 ás 19:00   

 

7 de janeiro de 2021

“OU FABRICA NO BRASIL, OU NÃO TEM VACINA”, DIZ MINISTRO

 

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta 5ª feira (7.jan.2021) que a demanda por vacinas contra a covid-19 é melhor atendida pela produção nacional do que pela importação de imunizantes: “É isso aí, pessoal, ou fabrica no Brasil ou não tem vacina”, afirmou o ministro.

 

Ele deu a declaração durante entrevista coletiva sobre a medida provisória que dispensa licitação para compra de vacinas contra a covid-19 e insumos destinados à imunização.

Pazuello comentou as negociações para importar vacinas de 3 desenvolvedores: Janssen, Moderna e Pfizer. De acordo com o ministro, a Janssen “oferece 3 milhões de doses apenas no 1º semestre”. Ele também disse que “a quantidade e o tempo não nos atende”.

 

Já a Moderna, de acordo com o ministro, é cara: US$ 37 a dose, sendo necessárias duas aplicações por pessoa. “Mas vamos lá, vamos comprar. E quando seria a entrega? 30 milhões de doses a partir de outubro, com previsão para chegar até o final de 2021”.

 

Ao comentar as negociações com a Pfizer, Pazuello voltou a criticar as exigências da farmacêutica. Afirmou que as tratativas continuam. “Amanhã tem novas reuniões. O que nós queremos é que ela nos dê o tratamento correspondente com nosso país, que ela amenize essas cláusulas. Nós não podemos assinar desta forma”, disse.

 

O ministro afirma que a empresa exige ser isenta de qualquer responsabilidade, caso a vacina produzida por ela apresente alguma falha ou reação adversa grave em um ou mais pacientes.

 

Em pronunciamento no dia anterior (6.jan), o ministro negou falta de seringas. O pregão eletrônico para a compra do equipamento foi suspenso pelo presidente Bolsonaro depois de conseguir apenas 3% das 331 milhões de unidades pretendidas.

 

Ainda não há uma data determinada para o início da vacinação. O que o Ministério da Saúde confirmou nesta 5ª (7.jan) são 3 hipóteses. No pior dos casos, as vacinas só começariam a ser aplicadas em uma data depois de 10 de fevereiro. No cenário otimista, o processo começaria em 20 de janeiro, e no intermediário dentre esses 2 momentos.

Butantan

 

De acordo com Pazuello, o Ministério da Saúde assinou nesta 5ª (7.jan) um contrato com o Instituto Butantan para a compra de 100 milhões de doses da CoronaVac, que será produzida no Brasil. “A entrega das primeiras 46 milhões de doses [será] até abril”, afirmou o ministro.

 

As demais 54 milhões de doses devem ser entregues até o final de 2021, ele acrescentou. O Poder360 questionou o Butantan sobre as declarações. Em nota divulgada, não confirmou quantidades nem prazos.

 

Eis a íntegra:

 

“A inclusão da vacina do Butantan no Programa Nacional de Imunizações representa a continuidade da parceria de mais de 30 anos entre o Instituto e o Ministério da Saúde para o fornecimento de vacinas aos brasileiros.

 

O anúncio feito hoje em Brasília significa que o MS, como historicamente fez, irá adquirir a vacina contra o coronavírus do Butantan e irá distribuir aos estados, incluindo o de São Paulo.

 

A minuta de contrato com o órgão federal foi recebida pelo instituto e imediatamente submetida à análise do departamento jurídico visando à sua rápida formalização.

 

Hoje o Brasil teve três boas notícias na área da saúde: as altas taxas de eficácia da vacina, o início do rito para obtenção do registro junto à Anvisa e o anúncio da parceria entre o MS e o Butantan para fornecer o imunizante à população brasileira. ”

 

O ministro disse ainda que o país garantiu “252 milhões de doses, já negociadas e com recursos para isso”. O total inclui as doses negociadas com a AstraZenca por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e também pelo Covax Facility –um convênio internacional para aquisição de vacinas.

 

Eis a relação completa de doses já negociadas, de acordo com o Ministério da Saúde:

Imprensa

 

O ministro iniciou a coletiva agradecendo a imprensa “pela firme e constante presença, que está conosco acompanhando, divulgando e apresentando os fatos como devem ser apresentados, com a menor interpretação possível”. Depois, passou a se queixar da “dificuldade de comunicar”.

 

Próximo ao fim da sua fala, ele adotou um tom mais duro: “não queremos a interpretação dos fatos, não queremos tendência ideológica ou de bandeira. Eu quero assistir à televisão e ver a notícia do fato que aconteceu. Deixem a interpretação para o povo brasileiro, deixem a interpretação para cada um de nós. Os senhores não têm essa delegação [de interpretar informações]”.

 

Na sequência, o ministro pediu desculpas “pela emoção da palavra” e disse que os outros representantes do Ministério da Saúde responderiam a todas as perguntas. Retirou-se em seguida, alegando que tinha outro compromisso.

* O Poder360

 

Quinta-feira, 07 de janeiro, 2021 ás 20:00  

 

 

 

Quinta-feira, 07 de janeiro, 2021 ás 20:00