Por
trás dos recintos do Centro de Controle de Zoonoses do Distrito Federal,
animais abandonados, resgatados por maus-tratos ou que estavam com risco de
doenças esperam por novos donos. Apesar de não ter a função de abrigo, o local
acolhe bichos e faz a mediação para que eles encontrem um lar.
O
centro existe para identificar e controlar doenças virais que sejam problemas
de saúde pública, como a raiva e a leishmaniose. “Os animais saudáveis chegam
por motivos variados, como em retirada de invasões, quando as pessoas os deixam
para trás”, explica o médico-veterinário da Diretoria de Vigilância Ambiental,
da Secretaria de Saúde, Laurício Monteiro. “É importante que o novo dono tenha
consciência sobre a guarda responsável”, alerta.
Para
adotar, basta ser maior de 18 anos e comprometer-se a cuidar do cão ou do gato,
por meio da assinatura de um termo de posse. Isso significa que o proprietário
terá que garantir os cuidados do animal, como alimentação, abrigo, assistência
veterinária e lazer.
Até
a manhã dessa quarta-feira (4), havia 24 bichos disponíveis para adoção: dez
cães adultos e 14 gatos filhotes. Eles permanecerão abrigados até que alguém os
queira. É o caso de um pitbull macho com problemas degenerativos na córnea,
encontrado em agosto, quando invadiu o Centro Educacional 2 de Planaltina.
“Como ele tem temperamento forte, as pessoas não têm tanto interesse, mas pode
ser recuperado e tem potencial para que a condição visual regrida”, explica
Monteiro.
Do
total de bichos saudáveis e fora do risco de doenças virais, há dois cães que
ainda inspiram cuidados. Uma das seis cadelas adultas tem tumor venéreo
transmissível (TVT), um tipo de câncer canino sexualmente contagioso e que não
afeta humanos. “Caso ela seja levada, garantimos mais cinco doses do tratamento
de quimioterapia”, diz Monteiro. Outra disponível para adoção está com miíase
cutânea, um tipo de ferida com tratamento simples, que inclui lavagens,
curativos e aplicação de larvicidas.
Qual é a função do
Centro de Zoonoses do DF?
Criado
em 1978, o centro pertencente à Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde é
responsável pela vigilância e pelo controle de doenças virais como raiva,
leishmaniose, hantavirose, leptospirose e febre amarela.
Além
dos cães e dos gatos, morcegos, roedores, pombos e macacos são testados e
mapeados regularmente pelo órgão. O local é dividido em laboratórios e setores
específicos para cada tipo de bicho e enfermidade.
Dois
veículos são usados para coleta de animais doentes ou que apresentam risco —
como cachorros agressivos que invadem casas e áreas públicas. Os carros devem
ser acionados apenas quando houver risco à saúde pública, a exemplo de cães sob
suspeita de contaminação com leishmaniose ou raiva e que tiveram contato com
outros bichos em condomínios, por exemplo.
Após
recolhidos, os animais passam por testes. Aqueles comprovadamente saudáveis são
vacinados e colocados para adoção. Enquanto esperam por um dono, os bichos
recebem alimentação e limpeza diária. Caso chegue algum sem sintomas de doenças
virais, os funcionários orientam as pessoas a procurarem abrigos e organizações
não governamentais (ONGs) responsáveis por esse trabalho de proteção.
O
Centro de Controle de Zoonoses do DF também tem parceria com acadêmicos e
pesquisadores da área veterinária da Universidade de Brasília (UnB) e apoia o
desenvolvimento de pesquisas e programas de educação em saúde pública.
Controle da leishmaniose
e da raiva
Para
minorar o risco de transmissão da leishmaniose, que acomete cães, o centro faz
exame de sangue gratuito, de segunda a sexta-feira, das 8 às 15 horas, e que
detecta a doença em 40 minutos. Em caso positivo, o teste é repetido. Se houver
a confirmação e o dono permitir, sacrifica-se o cachorro, como recomenda o
Ministério da Saúde.
No
caso da raiva, no local funciona também um posto de vacinação gratuita, das 8
às 15 horas, de segunda a sexta-feira. Há outros sete locais (veja lista
abaixo) em que os animais podem receber a vacina antirrábica sem custo, além de
campanhas de vacinação anual nas áreas urbana e rural do DF. Graças a essa
medida, os últimos casos de raiva no DF foram registrados em 2000, em cães, e
em 2001, em gatos. (AB)
Sexta-feira,
06 de Janeiro de 2017
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